SAÚDE E IGUALDADE NO EVANGELHO DE JESUS CRISTO…
Romanos 8, 8-11 – O Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós; João 11, 1-45 – Eu sou a ressurreição e a vida =========…============

A desumanização do ser-humano tem muitas faces. Entre elas, o ambiente frio e artificial das cidades modernas, as novas formas de apartheid social atormentam o mundo globalizado – sugere G. Brakemeier. Entre esses tormentos, novas expressões de morte social, cultural, política, religiosa, se apresentam no cenário: a pessoa teleguiada (Tv), aliciada, cooptada. O mesmo se dá com quem se aventura no espaço cibernético, na informação e na “filosofia” veiculada na internet (“felicidade nas vitrines dos shopping centers“). E não se trata de pessoa convencida, persuadida por uma idéia alcançada pelo espírito humano em plena liberdade de pensar e de escolher. ========
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A morte da alma e do espírito acompanham a morte do corpo. Algo que podemos encontrar na reflexão sobre a liberdade da fé: “Foi para gozarmos desta liberdade que Cristo nos libertou; permanecei firmes e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gl 5,1). O evangelho da “ressurreição” de Lázaro que lemos hoje, compromete-se com a vida ultrajada, com os inocentes martirizados, com os pobres do mundo, desprezados, humilhados, principalmente nas dívidas sociais, na velhice, escorraçados, abandonados à miséria, desassistidos até a morte.                           . ==============================
Observadores estão apontando: os movimentos religiosos recentes, no Brasil não têm uma mensagem sobre a Ressurreição. Mas, estão empenhados na “ressuscitação” material provisória dos fieis. Esse tema precisa ser evitado. O tripé cura, exorcismo, prosperidade, ruiria se houvesse qualquer cuidado quanto a aspectos da doença e da morte de todos nós. Drogadismo, alcoolismo, jogo patológico; câncer, aids, pneumonias, alergias, viroses, hipertensão, compõem o imenso repertório das doenças a que estamos sujeitos, antes da morte biológica, ao invés da indignação e denúncia de tratamento desigual, recebem julgamento moral. Nisso, não se diferenciam da sociedade, em seu todo. .………  …..

O crente, em busca da prosperidade física e material, não pode ter um corpo que adoece, segundo a pregação pentecostal. Um corpo que seja vulnerável; uma pessoa doente contradiz essa “teologia” de “vida abençoada”. O milagrismo realizado com prestigitação e magia ritual preenche o vácuo, na ausência da fé que leve em conta a finitude e vulnerabilidade humana, na doença e no sofrimento.
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A pessoa enferma dos dias atuais, enfrentando a realidade, mesmo que bem-posta, afortunada, tem que enfrentar uma fila imensa na porta dos laboratórios e clínicas especializadas; tem que estar pronta para consumir remédios caros, submeter-se a aparelhos de raio-x, endoscopia, transplantes, quimioterapias, cirurgias, antes do fim fisiológico irreversível em todo ser humano. Os modelos básicos de vida moral, e obras meritórias, de oportunidade caridosa, ou de vida consagrada, como fim para a vida abençoada, de sorte e prosperidade, não são suficientes para fazer-nos esquecer dos desfavorecidos, desprotegidos, sem políticas públicas e sem medicina pública para os desafortunados. Para quem considera os mais vulneráveis, “nunca há verdadeira paz, a luta contra (as doenças) nunca termina (Alexandre A. Martins).

Pobres, gente comum na maioria que habita as periferias das metrópoles, sem os caríssimo planos de saúde, sem previdência, não compõe os grupos privilegiados pela saúde melhor assistida, nem daqueles que dispõem das tecnologias de ponta no tratamento da saúde, podem até ir atrás de um prestidigitador religioso, pentecostal ou candobleísta. Esta maioria não se insurge contra os privilegiados, nesse sentido, no saneamento básico, habitação, vacinação frequente e persistente para o combate às endemias, higiene pública, acesso a diagnósticos de doenças tratáveis, alcoolismo, diabetes, entre as muitas enfermidades elencadas nas urbes do nosso tempo, custa a entender que vota nas eleições dos governantes, e que deveria reclamar da desigualdade no tratamento da saúde da população inteira.=

É necessário, no entanto, observar que esta “ressuscitação” de Lázaro não é a ressurreição completa (João 11,1-45). Enquadra-se nas “ressurreições” das quais fala o apóstolo Paulo: “Ninguém morre para si mesmo, porque se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, quer vivamos, quer  morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7-8). Lázaro vai morrer, certamente, ao completar-se o seu tempo cronológico e físico. Sua ressurreição se apresenta como uma possibilidade reivindicatória para todos nós. ………………================
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Todos os seres vivos cumprem a trajetória parabólica da vida física, desde um horizonte: nascimento, amadurecimento, chegando ao ápice das energias vitais, e depois cumprindo o declínio físico, energético, até completar-se o retorno à linha horizontal, da qual tudo emerge, o antigo e bom ventre da terra. “Deus sabe do pó do qual somos feitos”, dirá o salmista (103,14). “Nunca pensamos na nossa morte, mas na morte do outro”, disse Heiddeger. Mas a realidade indica outra reflexão, enquanto vivemos. Nosso tempo reflete a falta de cuidado com a criança, o jovem, o idoso. Falta indignação e reivindicação do cuidado obrigatório para a sociedade, por inteiro. Em igualdade.Mas João insistirá sobre a fé na vida imortal, na infinita gratuidade divina, na vida em gozo pleno: “Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá…” (Jo 11,25-26). A plenitude de vida, em igualdade, é uma oferta do Evangelho de Jesus Cristo.
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DervalDasilio     =====================
[Derval Dasilio, Evangelho de Mateus, Teologia e Culto Cristão, 2014, Fonte Editorial – em preparo].

5o. DOMINGO DA QUARESMA – ANO “A”    

Ezequiel 37, 12-14 –  Porei em vós o meu Espírito para que vivais plenamente
Salmo 130 – Enfermo, espero pelo romper da aurora
Romanos 8, 8-11 – O Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós
João 11, 1-45 – Eu sou a ressurreição e a vida

ressurreiç. de Lázaro -Caravaggio

 

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