trabalhadores maus na vinha (2)O mundo eclesiástico, cada vez mais, promove relações frias, distanciamento humano e social da igreja em relação à sociedade total, fuga sistemática da co- munhão de crentes sinceros, enquanto formas pragmáticas, oportunistas, aproveitadoras do espírito gregário vão se instalando com facilidade no meio evangélico. Que haviam feito com a vinha os dirigentes do povo, responsáveis pelo culto e orientação pedagógica da vida de fé (= o mundo, o lugar onde a obra de Deus se realiza)? “Vocês, chefes do povo, têm proporcionado e favorecido a inversão na missão de Deus, enquanto acumulam rebeliões contra Deus, rechaçando o verdadeiro herdeiro do evangelho da justiça”.
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O relato (Mateus 21, 33-43) coloca a nú os ministérios exercidos na igreja por dirigentes relapsos. A missão de Jesus, que finalizava seu ministério, representa a última oferta de Deus a seu povo e aos homens em geral. É necessário perseverança, atenção, vigilância e decisão. É preciso levar a sério as responsabilidades conferidas a quem deve retomar a propriedade de Deus, e desapropriar os posseiros da vinha de Deus.
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Comportamentalistas falam do sucesso da religião “no balcão de negócios e na política partidária”. No ES, meu estado, uma revista se gaba de que evangélicos movimentam 2,5 bilhões em dízimos e ofertas, sem impostos, claro… (Comunhão, set. 2014). Quem poderá negar a presença e a predominância dessas divindades nas telas full HD, nas salas de estar, influenciando eleições, e nos altares transmudadas em lugar de adoração consumista, capelas onde se cultuam as divindade do mercado?  A religião evangélica encontra-se sitiada pelo dinheiro?

 
Para Jesus o reinado de Deus, a vinha que foi tomada por posseiros, porém, está aberta a todos os seres humanos “de boa vontade”, ou seja, que tiveram como valor primeiro de sua vida o Amor e a Justiça (Mateus 21, 33-43). O Reino é “Vida, Verdade, Justiça, Paz, Solidariedade, Gratuidade e Amor”. Jesus desafia abertamente quem condiciona sua mensagem a alguma prática religiosa, e por meio dessa comparação com a vinha, mostra que a ortodoxia doutrinária, ainda presa ao séc. 18, recalcitrante, também não conduz à salvação, à plenitude de vida. O Reino não é propriedade privada de evangélicos racionalistas escolásticos ou neoevangélicos que colocam a fé e a graça num balcão de negócios eclesiásticos.
 
 
O pastor luterano Breno Shumann, nosso mestre nos anos 1970, dizia: “Eu tenho fé na Graça, preciso somente de cinco minutos conversando com alguém sobre compromissos teológicos, éticos, políticos, para que a pessoa saiba que sou cristão”. Com ele aprendemos, em situações de clandestinidade, na comunhão ecumênica dos perseguidos pela tirania da ditadura, de fato, que a injustiça, a ausência de liberdade e democracia, a exclusão, as desigualdades, a violência no cotidiano, clamam por olhos e ações cristãs, nelas encontrando a presença solidária e confortante de Cristo. para que essa pessoa veja que “eu sou cristão”.
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Outro amigo, contemporâneo, escreveu sobre ele: “Ele era profundamente convicto de sua fé em Jesus Cristo, vivia intensamente seus compromissos teológicos, éticos, políticos. Estava sempre no limite… sempre à beira do precipício, vivendo a graça de cada dia, inspirado pelo evangelho e pela fé em Jesus Cristo”.

Z preto derval74 anos (23)
Derval  Dasilio
Pastor Emérito – Igreja Presbiteriana Unida do Brasil

27º Dom: Tempo Comum depois de Pentecostes – Ano A
Êxodo 20,1-7  – Não terás outros deuses…
Salmo 19 – Os mandamentos do Senhor  orientam a vida
Filipenses 4, 4-9 –  O Deus da paz.
Mateus 21, 33-43 – Quem tem fé no Reino?|

 

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