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TRIGÉSIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM 

DEPOIS DE PENTECOSTES – ANO “A”

“O que tenho a dizer sobre o amor? Não tenho nada a dizer sobre o amor”, responde Jacques Derrida, prontamente. “Preciso que me coloque uma questão concreta”, respondia o pensador, fugindo da resposta piedosa ou abstrata. Spener valorizou os “sentimentos piedosos”, dizendo que equivaliam ao senso de consciência absoluta de Deus. Já em 1606, Johann Arndt, em Verdadeiro Cristianismo, advogava uma renovação social a partir do mandato de amar o próximo. P.J.Spener desafiou os cristãos ricos a compartilharem seus bens com os pobres, desejando acabar com a mendicância. A miséria comum na Idade Média estendia-se no Renascimento e chega aos dias de hoje. O cuidado dos pobres deveria incluir o amor aos não-religiosos (!). Com A.H.Franke apareceu um testemunho extraordinário em Halle, Alemanha. Acreditava que um cristianismo autêntico reduziria as distâncias sociais entre ricos e pobres. O amor faria a ponte.

É bom ler Agostinho (Confissões): “O que, afinal, amo quando te amo? Não é a beleza ou de um corpo, nem do aceleramento do tempo; não é o brilho da luz, tão agradável aos olhos; não são as doces melodias do mundo nem os sons da natureza; não é o perfume das flores, ou dos temperos das especiarias; não é o maná ou mel; não são os braços e o delicioso enlace dos corpos quando amo ao meu Deus. Quando amo a Deus, luz e som, e perfume, temperos, abraço o meu ser interior”.  

A opção por uma teologia que enfatiza o cuidado com os outros, na melhor tradução da prática do amor, é comum surgirem resistências dos grupos ortodoxos (protestantes do racionalismo neo-escolásticos) e fundamentalistas, ao mesmo tempo. A religião fala da experiência humana com o sagrado, o mundo imediato que quer explicar-se diante do inusitado: a experiência de Deus na vida e na sociedade humana. A religião é um fenômeno antropológico extraordinário! Todas as religiões têm começo e origem. Nos primórdios imemoriais, nas eras mais recentes, na Antiguidade e até hoje, as narrativas sagradas, os rituais, as práticas morais, os modos de organização, em cada grupo religioso, em toda parte e em todo tempo, pré-histórico ou não, a religião se aproxima da transcendência humana. Mas não inclui o amor. Narrativas supra-históricas, miraculosas, apontando prodígios, eventos divinos, transcendem à dinâmica histórica enquanto colocam homens e mulheres face a face com o mundo sagrado inexplicável.

Esse conceito corre perigo, poderíamos apenas analisá-lo como manifestação cultural, expressão humana, de certo modo prisioneira do que a antropologia poderia dizer sobre uma religião estática e vendável (religião de mercado). Mas poderíamos buscar outro enfoque, como sendo o “suspiro do oprimido” (Rubem Alves), onde os sonhos de libertação se apresentam em utopias (ou, em grego: não; topos: lugar; utopia é lugar nenhum já visto pelo homem). Nesse caso, a experiência religiosa representa o sonho de estarmos ligados à experiência de Deus que dá sentido à vida. Se a religião busca o amor. A vida faz sentido, com a religião? Então, Deus não é uma ilusão religiosa, como queria Feurbach, e depois Marx, e mais tarde Freud (O Futuro de uma Ilusão).

Esse episódio é importante porque se trata da questão central, desde o Thalmud ao Mishnah, na lei judaica: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” (12,28). Ajuntando dois trechos da Bíblia (Dt 6,4-5; Lv 19,18), Jesus responde: “O primeiro mandamento é este: Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor! E ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com toda a sua força. O segundo mandamento é este: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Não existe outro mandamento mais importante do que esses dois” (BPeregrino).

Que têm a ver as prioridades proféticas do amor e dedicação ao projeto de Deus e “ao próximo”, sob a ótica evangélica e cristã? As distâncias e os abismos existentes têm uma estrada e uma ponte construídas e tornadas disponíveis por Jesus Cristo. Na boa leitura da Bíblia para a abordagem dos problemas nossos sobre o amor e o “próximo”; na luta contra a fome e a miséria e erradicação da fome; em favor da educação básica de qualidade para todos, e não só para os membros da elite privilegiada economicamente; na promoção da igualdade entre os sexos e na erradicação da violência, especialmente contra a mulher e a criança; na redução da mortalidade infantil, ainda muito expressiva nos bolsões de miséria; no combate à Aids e endemias e epidemias não erradicadas, ameaçando retornar continuamente.

Amar a Deus é cuidar da seguridade e proteção da saúde do homem e do planeta, desde as maiores necessidades de proteção ambiental;  na qualidade de vida apontada no sentido da humanização do habitat do homem e da mulher, e das criaturas da natureza, onde o ar, a terra, a água, alcancem o tratamento e o respeito adequados para a sobrevivência do mundo humano e da natureza. Amor por instaurar os meios e processos para que toda a sociedade humana; todos os seguimentos econômicos, trabalhem para o desenvolvimento de todos, enquanto se desenvolve uma economia sustentável (oikonomia = organização e controle da casa do homem), para todos. A vida humana reflete uma realidade diferente, uma vez que nele estão contidas imagens reveladoras da essência humana, dos prazeres e desprazeres da vida.

O amor é uma espécie de amigo invisível e imaginário através do qual o homem vê a si mesmo e o mundo em sua totalidade. A exclusividade ressurge sempre de um modo maravilhoso; e então o homem pode agir por amor, ajudar, curar, educar, elevar, salvar (Martin Buber). Amor é responsabilidade de um “Eu” para com um “Tu”, nisto consiste a igualdade daqueles que amam, igualdade que não pode consistir em um sentimento qualquer.  Igualdade que vai do menor ao maior, do mais feliz e seguro, daquele cuja vida está encerrada na vida de seres amados.

30o. DOMINGO DO TEMPO COMUM

DEPOIS DE PENTECOSTES – ANO “A”

3Oo. Domingo TC A
Deuteronômio 34.1-12;
Salmo 90.1-6, 13-17;
1Tessalonicensses 2.1-8;
Mateus 22.34-46 |

 

 

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