ADULTERAÇÃO DO SENTIDO DA VIDA

14o. Domingo Litúrgico – Ano B
Tempo Comum depois de Pentecostes

derval dasilio *| jornal teológico |*

mais dd pensando.6A pergunta que se faz, no entanto, é: qual é o “programa” do qual fala o profeta Há problemas com os profetas, nos nossos dias? Há profetas no mundo chamado pós-industrializado? Em face das grandes mudanças ocorridas, o ressurgimento da intolerância e das paixões obscenas por oligarquias, racismo, homofobia, preconceito religioso, e de suas principais expressões culturais, no mundo de hoje haveria lugar para um João Batista e sua proclamação profética sobre a adulteração do sentido da vida?

Uma paráfrase de Calabar, por Chico Buarque, bem caberia aqui: “Não existe pecado no lado de baixo do Equador…”, se aplicada aos pecados estruturais das civilizações do Terceiro Mundo (ou seria o Quarto?). Dá pra entender? Uma expressão latina, corruptio optimi pessima est (a corrupção dos melhores é a pior que existe), identifica o que geralmente vemos acontecendo, tanto no Congresso Nacional como nas câmaras legislativas, estaduais e municipais; nas…

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…E QUESTIONAM ATÉ A AUTORIDADE DE JESUS

[13o. DOMINGO DO TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES – ANO B]

espírito com jesus 1

Vivemos num mundo de injustiça institucionalizada, afirma René Padilha. Em quase todos os países, o poder sócio-econômico e político está nas mãos de uma elite autoritária economicamente exclusivista, totalmente indiferente às necessidades das grandes maiorias. “Duzentas mil pessoas, 1/35.000 da população total do mundo, são os donos atualmente […] de quase metade do PIB mundial. Em contrapartida, 50% da população mundial (3,5 bilhões de pessoas) têm apenas 1% do PIB. Esses 50% ganham menos de dois dólares por dia. Estão abaixo da linha da pobreza” (Bernardo Persbergite).

Há uma crise, sem dúvida. E bem maior que a da seleção brasileira, com seus jogadores milionários, nervosos com as ameaças da polícia, dirigentes corruptos que comandam o futebol mundial. A triste constatação de que nós, na verdade, não temos os melhores jogadores do mundo, que a CBF é tão corrupta quanto outras tantas do futebol mundial, nos devolve à realidade: também não temos bons políticos, nem estrategistas competentes para o desenvolvimento do país; a exposição constante da corrupção nos legislativos e executivos parece comprovar tal afirmação. Isso vai além da torre no meio das duas bacias do Congresso Nacional: uma simbolicamente aberta, convexa, para “receber”; outra côncava, para “esconder”? Niemayer e Lúcio Costa teriam pensado nesses simbolismos, quando as projetaram?

Alguém colocou uma entrevista na internet como publicada em um grande jornal, mas era evidentemente apócrifa, como identificou um colega, observador atento que me escreveu:

“Já olhou o tamanho das favelas do Rio? Já andou de helicóptero  por cima da periferia de São Paulo? Solução, como? Só viria com muitos bilhões  de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma  imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral”.

Nossos principais adversários, afinal, são políticos governantes que não cuidam da pobreza extrema, da fome persistente; da falta de mais oportunidades para os jovens, especialmente no desenvolvimento na produção de bens; da saúde pública mal assistida, do mal uso dos recursos ambientais, da tensão com a necessidade de preservação da natureza, da indefinição quanto à participação do desenvolvimento internacional.

Hoje, temos uma “crise” de autoridade da qual devemos tratar em três partes, até chegar ao clímax, denunciada no evangelho de Marcos. Cada uma delas refere-se a Jesus e aos discípulos, os conflitos vão aparecendo, até chegar à crise mais aguda da crucificação. A primeira (Mc 3,6): “…os adversários de sua pregação confabulavam para matá-lo”; a segunda (Mc 3,20-21 e 6,4), que apresenta o conflito “com seus seguidores” (igrejas?),  “com sua família” e, depois, “com sua casa” (nação?). São o discipulado resistente a reformas sociais e reacionário, encastelado nas comunidades, o corporativismo doméstico e a disputa pelo poder das oligarquias carcomidas da religião, pela ordem. A terceira nos apresentará Jesus preparando seus ouvintes para a sua morte, pregando sobre a sua causa: o Reino de Deus: “Jesus percorria os povoados ao derredor, ensinando à sua gente” sobre justiça igualitária e os porquês da causa que representava (Mc 6,2).

Além de ser um judeu comum, Jesus é reconhecido como pessoa do povo.  Isso não funciona bem para os ouvintes do povo.  Ele tem uma procedência que não abona seu esforço de fazer-se ouvir com “autoridade”. Um carpinteiro de Nazaré, trabalhador manual; alguém que não passou pelas escolas rabínicas tradicionais, supostamente sem conhecimento teológico sobre a Torah, supostamente mal orientado, sem habilitação para ser reconhecido nos grupos hassídicos dos intérpretes da Lei e dos Profetas, não poderia “ensinar com sabedoria” sobre as intenções de Deus. Ao contrário, sua pregação era motivo de escândalo.

E a descrição nos Evangelhos de como levou a cabo o seu ministério mostra claramente que a sua compaixão estava orientada principalmente aos pobres, aos famintos, aos enfermos, às prostitutas, aos cegos, aos mancos, aos coxos, aos servidores da economia dominante, implacáveis, enquanto concomitantemente se corrompiam… Em síntese, estava orientada às “não-pessoas” da sua sociedade, lembra René Padilha: “A compaixão não é uma simples pena pelos que sofrem”. Poderíamos falar de um amor profundo, ternura; falar de uma identificação que move à ação, insurgência em busca de solução para os seus problemas. Como tal, exige contato direto com o fraco, pobre, necessitado, abandonado pelos poderes públicos. Era esse tipo de contato que Jesus tinha com multidões que o ouviam, e fazia com que ao vê-las tivesse compaixão por elas, “porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36). Em outras palavras, careciam de quem se ocupasse delas e lhes provessem um senso de direção com vistas a transformar a sua situação, num mundo de corrupção e sem misericórdia.

Os habitantes de Nazaré – sua família comunitária – não querem ouvi-lo, o que Jesus fala é óbvio. As realidades, no entanto, para eles, são imutáveis. Jesus não podia fazer o “milagre” da conscientização sobre novas realidades. Tais e quais membros um povo eclesiástico que bem conhecemos. Hoje, podemos perguntar-nos: como se constrói uma identidade nacional; como  a massa tão interessada em espetáculos de CPI’s hipócritas, futebol e carnaval, se transformaria num povo que ouve e vê além das encenações que encobrem a realidade? Pós-industrialização, pós-modernidade, que é isso para os latino-americanos? Quando se falará da pós-miséria, pós-insalubridade, pós-deseducação, pós-exploração consumista?

Sob categorias agora separadas, mas sempre recusada para a outra. É verdade que elas já ganharam nomes diferentes: um tipo de coerção é chamado “aplicação da lei e da ordem”, enquanto a palavra “violência” foi reservada apenas para o outro. Até lá, viveremos a cultura da violência social ou institucional paralela à do crime organizado, enquanto aprovamos leis que praticamente estabelecem a “escolaridade do crime” aos adolescentes, imposta nas prisões. Ajudados pela tecnologia, satélites, celulares, chips e megabytes em toda parte, nos assemelhamos aos que se recusavam a ouvir Jesus e a necessidade de entendermos as intenções do Deus Salvador e Libertador.  São terríveis revelações sobre as visões que temos de nós mesmos.

Mas a distinção verbal esconde que a condenada “violência” consiste também em certa ordem a ser implementada e em certas leis autoritárias  desumanas a serem aplicadas. Como disse Zigmunt Bauman, somos tentados a tomar emprestada a metáfora de Yuri Lotman de que, “por um lado, um rio poderoso varre ou devora tudo que obstruí seu fluxo, mas sua direção é estritamente determinada pelo leito”. Rio onde navega a intolerância e a negação do direito dos fracos. Portanto, conhecida com antecedência, como as sementes e raízes dos ódios que nos acompanham desde a colônia e o escravagismo legalizado. Por outro lado, na atualidade, vivemos num campo minado, explosões localmente condensadas sem dúvida ocorrerão, mas ninguém sabe quando e onde. A sociedade autoritária, intolerante, renasce no lixo dos democracia.

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NOTA DO AUTOR

Vida é “sangue”… o sangue é a alma do corpo, como o Deuteronômio dirá (12,23). A vida se confunde também com o “fôlego”: no momento da criação o ser-homem Yahweh soprou-lhe nas narinas “um fôlego de vida”, nephesh. Adão (adam, coletivo de humanidade), começa a viver com o “alento”, ou a ‘alma’ originada no Criador. A intensidade da vida é variável, de um momento para o outro é diminuída ou intensificada.  Um enfermo ou um morto, são vidas debilitadas, prejudicadas, porque incompletas, privadas de todas as suas possibilidades (2Rs 8,8; 10; 14,20 e 1-7; Gn 25,30 e 32; Is 5,27). Despertar, curar, ressuscitar, significa recuperar faculdades, dispor novamente de toda capacidade na ‘vida’ oferecida com a ‘alma’ proveniente de Deus, (hayyîn e nephesh, cf.Gn 2,7). Isso aparece e brilha nos olhos do israelita: a vida é a mais preciosa das bênçãos, nada é superior a poder-se viver com toda dignidade (Pv 3,16). João, no Segundo Testamento, cita o pronunciamento de Jesus: “Vim para que tenham vida, e vida em abundância ” (Jo 10,10b).

Muitas vezes temos confundido “sinais” com  “milagres”, em má hermenêutica. A realidade da teologia de Marcos nos remeteria, sem dúvida alguma a uma expressão mais correta: “representações e expressões de poder sobre a vida”.  A missão recebida de Deus, por Jesus, a pregação sobre o sentido do Reino, necessitam de um apoio didático na realidade(didaskein), enquanto ensinava. As parábolas refletem isso. Marcos não hesita em atribuir a Jesus a autoridade (exousia) para fazer o que faz, ensinando aos Doze, enquanto aguça a inteligência dos discípulos para compreenderem a hipocrisia legalista dos fariseus. Apegados à “religião do livro”, confirmando-se o conceito religioso do que o legalismo é para os tais:  a Lei é uma afirmação da morte contra a vida. Mas não em sua consciência farisaica. No entanto, a vida para Jesus é hayyîn, segundo suas raízes, algo definido no plural intenso da experiência humana em sociedade. Viver é mais do que “ser”, nenhuma abstração cabe aqui, nem quaisquer racionalismos.

Porém, o ensinamento de Jesus não só revela o profundo conhecimento sobre a tradição profética. Seus sinais estão em sintonia com os atos dos profetas de Israel.  Não se refere à tradição do Thalmud,  iniciada no Judaísmo Formativo (400 anos antes). Evoca, com muito rigor, as palavras contidas nas tradições sobre o êxodo libertador, o jubileu que anula contratos escravagistas sobre o trabalho, a propriedade, os direitos fundamentais; sobre a dignidade dos órfãos e das viúvas, da sociedade israelita. Jesus prega sobre um Deus que decidiu  “reinar”, que quer explicitar suas intenções salvadoras e libertadoras. Comunica-se falando a respeito de um Deus que se revela como Abba, ‘paínho’, ao jeito nordestino, baiano, cheio de cuidado, misericórdia e compaixão, indicando também um Deus aberto à reconciliação.  Deus  que solicita fé em sua graça (hesed), que vem aos homens e mulheres e se revela em seu carinho paternal e maternal, ao mesmo tempo, para sua salvação e libertação.

Derval Dasilio

2Samuel 5,1-10 – Até os coxos e cegos te repelirão…
Salmo 48 – Ventos procelosos fazem presentes a Palavra
2Coríntios 12,2-10– Prazer nas perseguições, por amor de Cristo
Marcos 6,1-13 – Quando os “ouvintes não ouvem” e querem ensinar a salvação

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JESUS E O DIREITO À SAÚDE

Tempo Comum depois de Pentecostes
13º. Domingo – Ano “B” ||| 2Samuel 1,17-27 –  Não se separaram, na vida e na morte ||| Salmo 130 – Anseio pela Palavra que salva… ||| 2Coríntios 6,1-13 –  Não recebam a Graça em vão! |||  Marcos 5,21-43 –  “Não tenha medo, a tua fé é bastante…\\\JE
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Cópia de mulher chorando - picasso
O trabalho da teologia profética reage à tendência legalista devolvendo à fé bíblica a discussão dos grandes temas referentes à justiça de Deus; dos temas, ênfase do êxodo (saída da escravidão econômico-social, cultural, imposta pela política dos poderosos da terra), escritos proféticos que abordam o Jubileu e a libertação das opressões políticas; o shalom que se traduz em bem-estar social, político e econômico, segundo as propostas do Deus de Israel para o seu povo.
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Os evangelhos, no Segundo Testamento, virão a enfatizar o reinado de Deus que recusa e contraria a concepção religiosa que o projeto humano quer construir: uma religião cujo esplendor se refletiria no culto e adoração abstratos, e não no cuidado com os oprimidos e abandonados na sociedade de referência. Jesus dirá: “Eu sou a ressurreição e a vida”.
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Não seria mero acaso que a saúde tenha alguma relação com o evangelho bíblico, independentemente do conteúdo intelectual desta, em praticamente todas as culturas. O escândalo da doença gera o requerimento de uma teologia  libertadora, dando-se ênfase à responsabilidade moral do ser humano. No campo dos conceitos quanto à saúde, igrejas cristãs ocupam lugar de dependência, quando desprezam o sofrimento da pessoa doente. Obras oportunas para a saúde se diluem nas obrigações comunitárias, começando pela falta de atenção à pessoa deficiente ou ao idoso, por exemplo.
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Mencionamos a devida vacinação, combatendo endemias como a dengue, a conveniente alimentação, a higiene de vida e habitação, o check-up cardiológico, o combate ao câncer, a abstenção do fumo, das drogas ilícitas, do excesso alcoólico ou de açúcar, o cuidado com esquizofrênicos e bipolares, o incentivo à prática de esporte, marcha e corrida leve, pertencem somente às recomendações da saúde pública. A saúde supõe, portanto, um comportamento que aponta a indignação cidadã se não são observados direitos fundamentais da população. Igrejas poderiam ser locais de denúncia, de reclamações para com o poder público, além de oferecerem seus espaços insurgentes para pressionar a atuação de outros que atuam diretamente em planejamento social e políticas públicas. A salvação, portanto, é parte das reivindicações proféticas do evangelho.
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Jairo vem da sinagoga, é chefe de uma assembléia, ou “ekklesia”, ou “synagogue”, palestiniana, em Cafarnaum (Marcos 5,21-43). Esta instituição é a mais importante, depois do Templo, no judaísmo. Jairo não encontrou a salvação nela. A instituição não conduz à vida, nem oferece um caminho existencial de libertação, está imbicada para a morte irremediável na religião propositista de resultados mercadológicos. Ou estatísticos. A perícope anterior já cuidara de outro personagem simbólico da alienação religiosa:  “o homem que habitava no meio dos túmulos, e ninguém podia controlá-lo” (Mc 5,3-4), cujo nome era Legião, um homem tomado por poderes de demônios mais que escravizadores. Legião carrega em seu corpo as reivindicações pertinentes à saúde e à doença. Além das políticas públicas para alimentação e cuidados gerais para economia  de transferência de renda para os pobres.
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Jairo é um chefe na sinagoga de Cafarnaum, sua ekklesia era dirigida por ele, encarregado da manutenção da casa religiosa; que seria, também, responsável pelo culto e a liturgia; pela distribuição de funções, e provavelmente era também vinculado aos fariseus e doutores da Lei ou da Torah. Aqueles que planejam a morte de Jesus, o “desobediente”; o “politicamente incorreto”, o “reivindicador de direitos humanos” (“bem-aventurados os que são perseguidos por causa da busca da justiça”…), quanto às leis e preceitos da religião dominante. Jesus tinha seus dias contados…
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Não há salvação no culto, na obediência irrestrita da Lei sob qualquer de suas dispensações (ou como o fundamentalismo religioso exige). Temeroso por vários motivos, inclusive pela perda de privilégios que o importante cargo de chefe religioso lhe conferia, quando se aproxima de Jesus, um suposto herege ou apóstata, cai a seus pés para pedir-lhe: “Minha filha está morrendo. Vem, põe a mão sobre ela, para que sare e viva”. E obtém a resposta: “Não temas, a tua fé te basta” (Mc 5 – v.36), diz-lhe Jesus. Marcos, o evangelista, acrescenta uma pitada de zombaria dos incrédulos circunstantes, da mesma comunidade religiosa, que se dirigiram a Jairo: “Sua filha morreu, pare de incomodar…”
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Jesus não perde a oportunidade de restituir a saúde, a dignidade, a vida, quando o julgamento fatalista de sociedade não quer mudanças nem atenção para com os pobre e oprimidos, enquanto cultiva a hipocrisia de uma auto santificação improdutiva. Os que preferem a letra morta da Lei, os preceitos e os regulamentos mortificadores que impedem as transformações necessárias, a morte à vida, prosseguem no seu caminho, entregues à fatalidade. Não lhes importa a salvação. 
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No total, lembramos que os cidadãos afortunados, bem-postos, dispõem geralmente de maior longevidade e vitalidade que os trabalhadores braçais ou os desempregados, porque podem cuidar de sua saúde despendendo recursos financeiros mais elevados na medicina privada e hospitais particulares, além dos caros planos de saúde. No entanto, cada categoria enfrenta perigos específicos para sua saúde (Hubert Lepargneur). A sociedade é, portanto, condicionada não apenas pela herança e detenção das riquezas, mas também pelos meios e condições de sustento, distantes das causas da fome endêmica.  Há particularidades, portanto, tanto para os cidadãos de grandes metrópoles que habitam nos metros quadrados mais caros, quanto para os camponeses e moradores da periferia afastados de instituições sanitárias.
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Voltadas para as necessidades que precisam ser atendidas, de alimentos, habitação, urbanização humanizada, medicina de ponta socializada para os mais baixos níveis de consumidores, não há o desvio de finalidade, ao prover-se os mais abastados da medicina qualificada e hospitais que utilizam medicina de ponta? E quando o atendimento à saúde só se justifica por oferecer lucro e capital, e privilégios para poucos, usuários da caríssima saúde privada? O assunto é vasto, uma vez que o mundo não pode retroceder à era pré-tecnológica, como já nos lembrava Jacques Ellul (A Técnica e o Desafio do Século). Sem dúvida estamos diante da necessidade de novos modelos de desenvolvimento na saúde, e de novos sistemas econômicos sob o protagonismo da saúde, enquanto se buscam sustentabilidade e estabilidade social, face à extrema rapidez dos insumos tecnológicos.
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O texto de Marcos nos traz a necessidade de atenção para com as pessoas deficientes, debilitadas, doentes, enquanto nos chama à responsabilidade para indignar-nos ou denunciarmos os poderes responsáveis pelas transformações e não o fazem. É um alerta para uma palavra profética onde a pessoa não tem respeitada a sua dignidade humana. Preconceitos religiosos ou sociais se equivalem, dessa maneira, sobretudo no ambiente cultural que se inclina a marginalizar, ou a não dar importância maior às questões essenciais: vida contra a morte.
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Numa sociedade competitiva, consumista, como a nossa, onde até a saúde é comprada a peso de ouro, não há justiça, quando quem não pode pagar é excluído dos benefícios aplicados à saúde. Isso é o que o evangelista parece propor no texto de hoje: indignação contra desigualdades, ou contra quem pode mas não promove a justiça de Deus. Especialmente quanto aos debilitados pelas doenças, os deficientes e os vulneráveis em quadros sociais onde a saúde pública é relegada ao plano secundário, dentro das prioridades de uma sociedade impiedosa e exclusivista.
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Derval Dasilio |||
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CRISTÃOS NO MOVIMENTO ECUMÊNICO

 A Fonte da Vida1

Marcos 4,35-41 – Muitos se enganam quando insistem que as comunidades nascentes no período neotestamentário viveram sem conflitos semelhantes, com identidades únicas definidas com rigor doutrinal, do ponto de vista da eclesiologia que organiza os ministérios, a missão e os sacramentos da igreja. Idealização absurda. Os conflitos vão crescendo, as dificuldades se impõem. Atos dos Apóstolos, mesmo minimizando-os, mantém seu objetivo conciliatório. Uma visão sociológica ajudaria a por algumas questões no lugar. Por exemplo: a situação de judeus ou não-judeus, que conservariam uma tradição que remonta à Torah, também habituada ao Thalmud e ao Mishnah; a posição dos prosélitos, conhecedores do Deus de Israel mas gentílicos, na questão da ceia eucarística. Comer na mesma “mesa”, comunhão de judeus e gentílicos nos alimentos da “ceia do Senhor”, hospitalidade eucarística sem restrições, era um grande problema. Contradições quanto aos costumes e tradições tornam esse problema bastante relevante.

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Outro problema era o desafio representado pelos judeus rejeitados, considerando-se o grande número de comunidades que se reuniam nas sinagogas espalhadas no mundo mediterrânico, desde a África, passando pelo Oriente Médio, Ásia Menor, Europa Oriental e Ocidental. Conflitos culturais estavam em toda parte: era possível continuar sendo “judeu” e cristão ao mesmo tempo, se o povo gentílico assumia a condição de membresia maior no todo da igreja? O terceiro problema compreendia a situação específica de gregos e romanos pertencentes às elites da sociedade imperial. Bem-postos politicamente, exercendo funções no controle da economia e da política imperial, experimentariam o dilema da fidelidade: é possível ser fiel ao imperador e ser ao mesmo tempo fiel a Jesus Cristo? Decifra-me ou devoro-te, diria a esfinge…

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A questão dos pobres, da justiça, das desigualdades na igreja, estava em relevo, e no século seguinte passaria para o segundo plano, para ser “amortecida” por quase vinte séculos. Com raras exceções, como enfatizava Francisco de Assis (séc.13), e bem mais tarde John Wesley (séc.18), essa questão desinteressava a comunidade cristã, enquanto tomavam forma movimentos de espiritualização e ascetismo, de iconoclastia e “purificação” de símbolos eclesiásticos, entre outros. Não se passa incólume sobre esta questão, pois os pobres e oprimidos, como tais, são tema permanente do “Reino de Deus e sua justiça”, re-inaugurado profeticamente por Jesus Cristo, pregando numa sinagoga da Galiléia (Lc 4,16ss), alcançando ao mesmo tempo os temas do Jubileu Bíblico desde o movimento profético dentro da religião de Israel (cf. J.Comblin, Atos dos Apóstolos, V.I, Vozes/Sinodal).

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No entanto, o texto de Marcos vai lembrando as dificuldades do evangelho do Reino de Deus ainda nos tempos apostólicos. Elas fazem parte do devir da história, as comunidades enfrentam perigos e muitas ameaças internas e externas. São como um barco pequeno e frágil navegando em águas turbulentas, sempre pressionadas por sentimentos de desespero e desencanto. Nesse momento Jesus questiona a falta de fé dos discípulos, enquanto reclama a falta de coragem que invade o grupo. É isso que nos chama a atenção na liturgia deste domingo. O relato da “tempestade acalmada” é instigante. Fala com exatidão dos problemas da Igreja Primitiva, ou do movimento de Jesus, com as situações conflituosas, culturais, nas comunidades que se desenvolviam no ambiente mediterrânico, sob o poder político imperial romano.

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Serve-nos, hoje, nas situações que enfrentam os movimentos ecumênicos transculturais, vencendo a duras penas individualismos e exclusivismos, no mundo globalizado. Não são poucas as igrejas nacionais e denominacionais, no mundo inteiro, envolvidas com o ecumenismo da Igreja de Cristo. Sua mensagem também está no símbolo que ecumenismo institucional adotou, um frágil barco à deriva num mar perigoso, enfrentando as hostilidades naturais à sua pregação: o Reino de Deus não se confunde com igreja alguma; a justiça do Reino não equivale ao legalismo religioso, biblicista, à “justiça” eclesiástica, e muito menos à justiça dos homens; o Jubileu profético denuncia as situações de opressão que experimentam os homens e as mulheres debaixo dos poderes deste mundo; a fé na unidade é uma exigência que convoca as comunidades de fé e os indivíduos para serem um em Cristo, nas próprias palavras do Senhor da Igreja, dirigindo-se ao Pai: “que sejam um, como eu e tu somos um”.

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Os perseguidores estão também no meio da comunidade de fé. Apontam o fracasso, aguçam o desespero dos fracos, instilam a covardia e o temor ao naufrágio, analisam o futuro de modo pessimista. Usam até a agressão nos questionamentos sobre missão e prioridades estabelecidas, o evangelismo metodológico acima da evangelização como anúncio da notícia nova da chegada do Reino de Deus. É verdade que muitos naufragam, ou escolhem outra rota. Preferem outro destino, salvacionista, avivalista, propositista, mercantilista. Eclesiologias fundamentalistas importadas, novas expressões pentecostalistas. O imediatismo seduz e as facilidades do dólar e da mídia ajudam. Mas aos de lá, até contrabandeadas dentro de “bíblias” insuspeitas.

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É quando se torna necessário recordar Jesus. Não o que exigiria arroubos emocionais sobre sua pessoa, carne tremida, lágrimas nos olhos, comoção sobre a cruz ou sobre a salvação espiritual, sem libertação do corpo e do ser inteiro. Cristo não é um produto de mercado, e não é um nome que possa ser utilizado impunemente na venda de amuletos, produtos simbólicos, religiosos, “curativos”, com fins salvacionistas. Jesus, nos Evangelhos, não abandona o barco, dá a certeza de sua presença como timoneiro da fé. Jesus é capaz de vencer a tempestade, enquanto fortalece as certezas quanto à sua permanência junto aos discípulos e seguidores, diz-nos o evangelista Marcos, transmissor da fé apostólica no Cristo de Deus.

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Oração: “Deus, em tua graça transforma o mundo. Damos graças por Tuas bênçãos e sinais de esperança que já estão presentes no mundo, entre pessoas de todas as idades e nas que antes de nós andaram na fé; nos movimentos de superação da violência em todas as suas formas, não apenas por uma década, mas para sempre; nos diálogos profundos e abertos que começaram tanto em nossas próprias igrejas e com gente de outra fé, na busca por compreensão e respeito mútuos: em todas as pessoas que trabalham juntas por justiça e paz – tanto em circunstâncias excepcionais quanto no dia a dia. Agradecemos-Te pela Boa Nova de Jesus Cristo e pela certeza da ressurreição. Amém” (Assembléia do CMI, em Porto Alegre-RG).

11o. DOMINGO DO TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES – ANO “B” 1Samuel 17,32-49 – Quanto maior, maior a queda… Salmo 133 – Quão agradável é a unidade dos irmãos 2Coríntios 6,1-13 – Rogo-vos, valorizem a graça de Deus Marcos 4,35-41 – As comunidades enfrentam perigos…

SERVIÇO BÍBLICO LATINO-AMERICANO

Jó 38,1.8-11: Aqui se romperá a arrogância de tuas ondas
Salmo 106: Dai graças ao Senhor, porque eterna é a sua misericórdia
2Coríntios 5,14-17: O que é velho passou, o novo chegou

Marcos 4,35-40: Quem é este a quem até os ventos e as águas obedecem.

 
35 À tarde daquele dia, disse-lhes: Passemos para o outro lado. 36 Deixando o povo, levaram-no consigo na barca, assim como ele estava. Outras embarcações o escoltavam. 37 Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca, de modo que ela já se enchia de água. 38 Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? 39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança. 40 Ele disse-lhes: Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?
 
COMENTÁRIO
 
Na primeira leitura vemos como o Senhor responde a Jo a partir de um torvelinho, uma forma muito comum no Antigo Testamento para as aparições de Deus. Mostra o que o Senhor é capaz de fazer pelo ser humano, até frear o mar para que não irrompa contra ele. As comunidades cristãs crescem em meio às dificuldades e conflitos. Sentem o assédio de muitas ameaças internas e externas. São como uma pequena embarcação navegando em alto mar, em águas turbulentas. Aparece o desespero e o desalento. Jó é o símbolo da paciência e da resistência. Sente-se assediado por todas as partes. Deus o interpela fazendo-o cair na conta de que ele é o Senhor da história. As dificuldades da vida não poderão derrotar a quem coloca toda sua confiança em Deus.
Na carta aos Coríntios vemos a nova humanidade que, através da morte de Cristo, recobra a vida plena. Cristo morreu por todos para que todos tenhamos vida por meio dele. O amor de Cristo foi tão grande que nos resgatou da morte e da escravidão do pecado, e nos fez partícipes da vida nova. O antigo foi superado pela morte e ressurreição do Senhor.
No evangelho, o chamado relato da tempestade apresenta as dificuldades pelas quais atravessava a Igreja primitiva no contexto do império romano. O mar é símbolo do perigo, é uma ameaça para os que vivem próximo dele, porque sabem que por aí vem os perseguidores. A comunidade é essa pequena embarcação que navega à deriva. A fé de muitos naufraga ante as ameaças e as pressões do medo. Jesus navega com os discípulos. É capaz de derrotar a tempestade.
A certeza da presença de Jesus fortalece a frágil fé da comunidade e temos a firme esperança de participar em sua ressurreição. Somente a certeza de que Jesus caminha conosco pode nos ajudar a vencer os medos e as incertezas e a “remar mar adentro” para águas mais profundas.
Temas clássicos relacionados com este tipo de milagres de Jesus, centrados na ação sobre a natureza, que talvez já tenham perdido seu poder de atração, são os da possibilidade mesma de milagre, as relações entre Deus e a natureza e o tema da oração de intercessão, quando o pedido se centra em uma ação sobre a natureza.
Oração: Deus, nosso Pai, que em Jesus de Nazaré, nosso irmão, fizeste renascer nossa esperança de um novo céu e uma nova terra: nós te pedimos que nos tornes apaixonados seguidores de sua causa, de modo que saibamos transmitir a nossos irmãos, com a palavra e com ações, as razões da esperança que nos sustenta. Por Jesus Cristo nosso Senhor.
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JESUS É SOLIDÁRIO E PROTEGE QUEM TEM FOME…

DOMINGO DO TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES – ANO “B”
1Samuel 3,1-10 (11-20) – Davi alimenta comandados no sábado
Salmo 139,1-6 (13-18) – Teus olhos me viram antes de tudo…
2Corintios 4,5-12 – Por que não pregamos a nós mesmos?
Marcos 2,23-28 – O sábado foi feito para servir, e não para “ser servido”

sábado

É sábado, a vida continua. Os que estão saciados não percebem, mas os que têm fome continuam famintos; os sem saúde, sem assistência; os sem moradia dormindo nas calçadas; os desempregados sem trabalho. O sábado era uma das observâncias mais importantes no tempo de Jesus, talvez, uma nitidez que se exigia para distinguir o judeu do pagão – alguma coisa impossível de avaliar-se hoje, quanto ao sábado ou o domingo cristão. A autenticidade aparente, sem dúvida, era mais exigida que a convicção religiosa interna. Aí, viver como o pagão significaria algo importante.

Por exemplo: o uso pagão da economia; as relações de trabalho explorando compatriotas; o oportunismo político dos dirigentes na política de influência; a crucificação de insurgentes ao regime imperial; na equidistância quanto aos compromissos e responsabilidades para com o povo oprimido, coletivamente, nas filas, nas vilas, favelas. “Da força da grana que ergue e destrói coisas belas. Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas…” (Sampa: Caetano Veloso).

Há urgências, a sociedade não é receptiva, porém. Pessoas portadoras de deficiências, sem autonomia física ficam ainda mais fragilizadas. Quem cuidará delas? A Lei as condenaria ao conformismo, como resultado de pecados pessoais ou ancestrais, de acordo com o senso comum indicaria para a deficiência física, ou ou o que padece sob a fome. Jesus manda: “entra na roda, fique no meio”! E o esquadrão vigiava, perguntando: “será que ele ousará”? Na sinagoga, lugar da assembléia dos religiosos, o fato chama a atenção. E Jesus, entendendo o espírito coletivo repressivo, pergunta: “O que a Lei permite fazer no sábado: fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou dar-lhe fim”? Ira e tristeza são a resposta, a neutralidade diz tudo. Quem colhe espigas para fazer pão, no sábado, deve sujeitar-se à Lei, e passar fome. Jesus discorda…

Não há decisão, fica-se em cima do muro. A liberdade é um salto da morte para a vida. A neutralidade e a equidistância, porém, escondem o julgamento de morte. Jesus recorre às Escrituras, como sempre, e cita 1Sm 21,2-7: Se Davi e seus companheiros puderam comer os pães sagrados reservado aos sacerdotes, por estarem famintos, no sábado, assim também seus discípulos teriam o mesmo direito. O fato histórico é reacendido, porque a citação bíblica recorda a falência progressiva do sistema social vigente, politicamente comprometido com o estado romano, consumido pela religião formalista que oculta o compromisso social, ocultando as misérias do povo economicamente dominado e oprimido. Samuel é um dos inauguradores do profetismo político-social em torno de Yahweh, Deus de Israel no AT.

Ao contrário, a violação do “sabbah” era motivo até para a pena de morte (“Saíram pensando em matar Jesus…”, cf. Mc 3.6). Os regulamentos, cerca de 630, Lei defendida pelos escribas e fariseus, exigiam que certas atividades não poderiam ser exercidas durante o sábado. Mais exatamente: trinta e nove (39) artigos regiam “o que não deveria ser feito durante o sábado”, inclusive preparar alimentos para comer, no judaísmo contemporâneo do evangelista Marcos. Esfregar espigas para comer, mesmo que depois do “horário regulamentar”, era considerada uma infração. O sábado adquiriu seu real significado na época tardia, durante o helenismo (300 a.C.). No judaísmo pós-bíblico tornou-se preceito indispensável.

Há uma “lei” que está acima da Lei, justificando a desobediência civil. No segundo caso, Marcos aponta o esquadrão fariseu politicamente correto, incentivador dos esquadrões da morte e da tortura; de batalhões robocops contra educadores e professores em greve. Lá estão eles se colocando em ação contra a vida, ameaçando a Jesus, que defende o pobre e necessitado. O homem tolhido pela fome e pela doença necessita de alimento e cura. Precisa ser útil, trabalhar, produzir seu sustento e o dos possíveis dependentes. Especialmente do ponto de vista coletivo, alimentação e cura são transformações importantes para a manutenção da vida de todos. Luiz Gonzaga, Rei do Baião, grande intérprete da cultura popular brasileira, diria: “A esmola, quando não mata de vergonha, vicia o cidadão…”

A doença e a pobreza, sinais da vida miserável, são momentos ou situações  que talvez deixem mais clara a fragilidade humana. Além do risco de morte, surge uma pergunta inquietante: que valor tem o necessitado, agora que não está mais produzindo para a comunidade? A resposta cristã nos diz que mesmo a dor da carência extrema, e a própria morte na miséria, podem ser ocasião de solidariedade e autêntico amor. Isto é, podem nos tornar “mais cristãos”, na medida em que nos sintonizam com “as coisas que não passam”, e ameaçam existir para sempre, quando esquecidas as responsabilidades da sociedade inteira para com os mais frágeis.

Quando grande parte da sociedade seletiva, egoísta, autoritária, clama contra programas sociais, combate à fome e à miséria; quando se manifesta contra programas habitacionais populares;quando desdenha da bolsa-família, do SUS, da educação universitária para estudantes pobres; quando aprova a polícia truculenta que atira gás de pimenta e espanca professores grevistas; quando comemora o recesso econômico como sinal do “mal emprego” dos recursos públicos em programas sociais, entendemos a sociedade repressiva contemporânea de Jesus e seus discípulos. Poucas são as diferenças.

Finalmente, a experiência humana do amor e da solidariedade tem sua expressão em duas possibilidades de testemunho radical no mundo. Experiências que serviram de base para o cristianismo sinalizar o sonho do reinado de Deus para o ser humano: de um lado, a memória das ações libertadoras de Jesus (Mc 4,6-40); de outro, aquelas situações mais críticas pelas quais todos passamos, e que põem em jogo nossa felicidade (Afonso Soares). Num momento cercado de tanta apreensão, ataques à esperança, e fragilidade na sustentação da mesma, é muito bom sentir a acolhida amorosa, segura e feliz da comunidade dos que “sonham os mesmos sonhos de Jesus”: “O que a Lei permite fazer no sábado religioso: fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou dar-lhe fim”?

“O sábado foi feito para servir o homem; o homem não foi feito para servir o sábado”. Um precedente inquestionável, aparentemente. O arremate do Cristo de Deus, porém, é escandaloso aos formalistas: O sábado é a Lei dada aos homens para sinalizar obrigações mútuas. Eis a grande novidade. O fato seguinte exemplificará o conceito evangélico sobre a finalidade do “sabbah” no Reino de Deus: o sábado só faz sentido se for uma prescrição que sustenta a vida e protege os mais fracos. Jesus afirma que nada pode impedir que os “famintos” se alimentem, sejam quais forem os meios que se devam utilizar para tanto.

Derval Dasilio

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