entra e sai igrejaPrecisamos conversar com os jovens sobre testemunho cristão nos lugares onde estarão os cristãos vocacionados para servir a Deus, na missão do Reino, compreendendo claramente o missionário Jesus de Nazaré, através dos ministérios da igreja e na vida cotidiana. Pedro Lysias, um jovem aluno no seminário teológico, num debate: “Vivemos numa sociedade segmentada e dividida. Nossas vidas são pressionadas pelos golpes que sofremos do sistema (ou sociedade autoritária). Ficamos preocupados por não ter que passar por crises. Na nossa vida eclesiástica, acabamos não dispondo de tempo para dedicação ou tomar iniciativas para servir ao Senhor nosso Deus. Encaro que a vocação só é descoberta quando aceitamos que os maiores sonhos que temos devem ser o que Deus sonha para nós: o sonho de Deus é influenciar nossa vontade para vivermos sempre movidos por sentimentos bons, buscando preparação para a missão, para a execução da missão (de Deus), e para a convivência cristã na experiência da inclusão (de todos: idosos, jovens, crianças; deficientes, diferentes racial ou sexualmente, etc.).
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O sonho de Deus é que vivamos, porém, na igreja, a liturgia (culto), o ensino bíblico e teológico, a ética e a evangelização e a diaconia total, sócia, como cristãos. No serviço. Encaro a vocação como liberdade que Deus nos deu para servir (ou não servir). Mas vejo essa liberdade sempre como responsabilidade inescapável. Um pouco do que interpreto desta liberdade encontrei na carta de Tiago 2,1-13, mais especificamente no v. 12: …sereis julgados pela lei da liberdade. Contudo, nossa vocação está nesta liberdade. Nossa liberdade é uma vocação. É a vocação movida pelo Espírito Santo de Deus, uma grande e prazerosa responsabilidade”.
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Carlos Calvani, colega, pastor anglicano, professor de teologia, atuando em Cuiabá – Mato Grosso, conta um caso interessante: “Um calouro do curso de teologia, perguntado sobre o chamado e o significado de sua vocação, respondia estupidamente: – “Não passei em nenhum dos muitos vestibulares que fiz, então comecei a pensar que Deus tinha um plano para mim, impedindo-me de ingressar na universidade; Deus queria que eu me dedicasse ao ministério”. É o contrário, acreditamos: Deus precisa dos mais habilitados, os jovens mais conscientes; os que possuem inteligência crítica, em favor do Reino de Deus, e não das sobras ou dos estúpidos.
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Acho eu que o exemplo mostra o quanto os modismos atuais influenciam as vocações, especialmente os de origem carismática, que grassam nos ambientes eclesiásticos. É preocupante: o jovem toca uns acordes de guitarra, ou bate uma bateria animada, e já tem um “ministério”, que considera mais importante que o do pastor ou pastora. Os nomes de grupos musicais, são impressionantes, evocando o judaísmo combatido por Jesus e seu apóstolos: Trazendo a Arca; Diante do Trono; Pavio que Fumega; El Shamah. Lembram imagens que não constam nos textos e na religião do Novo Testamento. Mas afirmam seu apego à religiosidade contra a qual Jesus anunciou o desprezo do Pai.
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Ouvi um líder de banda gospel, num culto, depois de quinze minutos de som ensurdecedor, explosivo, das caixas de “1000 wats RMS” espalhadas no altar transformado em palco, orar veementemente, repetindo os expoentes do mundo gospel, dando ordens a Deus para abençoar “este povo”… O moço achava que estava investido de autoridade para abençoar quem ele escolhesse, como aprendera nas excursões à Igreja Batista da Lagoinha.
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Acham que têm as respostas, enquanto a multidão revira os olhos, sente a pele tremida, emocionada com a “viagem” do louvor gospel. Enquanto embriagam a multidão, instilam mais alienação, e se afastam ainda mais do culto cristão. E estamos conversados. Não tem diálogo. Eles sabem tudo! Tudo que o culto fundamentalista ensinou. O povo não precisa orar, e se quisesse não conseguiria, porque os ministros de louvor oram no lugar dele. Nem canta, eles cantam por ele.
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E usamos a Bíblia somente para confirmar doutrinas eclesiásticas, enquanto apoiamos a analfabetização geral que se faz, sonegando o estudo bíblico sobre os fundamentos da fé cristã. E o preparo bíblico nos seminários, também, parece andar capengando, quanto à formação litúrgica para o culto cristão, a julgar pela visão teológica de alguns, perdida no fascínio por modismos importados, reavivalistas, carismáticos, propositistas (ensinamento da ganância como virtude), que refletem o ajustamento à mediocridade teológica que vem tomando conta de nossas comunidades. Personalidades pentecostais da religião da ganância interessam mais que Jesus Cristo (5º lugar no ranking da juventude, entre 1.960 jovens pesquisados pela revista Ultimato – set./out. 2010: detalhei o assunto no livro Pedagogia da Ganância, acabo de publicar).
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Mateus 4,12-26 – Para a compreensão do ponto central da pregação de Jesus, ou seja, o Reino “dos céus” (ou “o Reino de Deus”, uma vez que a o evangelho de Mateus se dirige a judeus tradicionais, que consideravam aceitável, no máximo, o termo Senhor, Adonai), devemos remontar às experiências de soberania que as pessoas e o povo de Israel tiveram ao longo de sua história. O começo solene da pregação de Jesus só encontra semelhança no começo do ensinamento sobre a Paixão (e crucificação). Para as regiões mais expostas às duras situações criadas pelo poder dos impérios, o Primeiro Isaías, ou um de seus discípulos, anunciava a promessa de libertação de um imperialismo que é expressa adequadamente como “vara”… “jugo”… “bastão de comando”… “bota que pisa pesado”… “capa manchada de sangue” (Is 9,3-4).

Derval Dasilio

 

 

Jesus se apresenta como a realização da libertação divina que destrói estes sinais do poder imperial e que, por conseguinte, pode ser descrita com as imagens da luz, da bênção e da alegria, seguidas da colheita e de uma vitória que se assemelha àquela obtida por Gedeão sobre os midianitas (גִּדְעוֹן, Gid’on) (Juízes 8). A relação com a religião subserviente aos poderes políticos, é uma evidência. A ação libertadora de Deus assume a forma de um fogo que destrói as forças do opressor. Em Jesus, o triunfo sobre esses poderes do mal se realiza mediante a pregação do Evangelho do Reino que vai acompanhada pela cura de todas as enfermidades mentais e culturais do povo oprimido da Galiléia (possessão demoníaca e paralisia mental). Mas, por sua situação de maior aproximação à arbitrariedade dos poderes imperiais, os efeitos da ação libertadora de Jesus na Galiléia transcendem os limites desta, atingindo outras regiões de dentro e de fora de Israel. A mensagem do Reino mobiliza uma “grande multidão da Galiléia” mas também da Decápole, Jerusalém, Judéia e Transjordânia (v.25), e sua ressonância chega a “toda Síria” (v.24).

 

A menção destes no v.25 aparece para ressaltar que todos “seguiam” a Jesus. A partir dessa referência devem ser compreendidos (vv.18-22), que são relatos de vocação dirigida a dois pares de irmãos: Simão e André, primeiramente; e João e Tiago, a seguir. Tais relatos, e os que aparecerão posteriormente nos evangelhos, não têm outro paralelo véterotestamentario a não ser o relato da vocação de Eliseu (1Rs 19,19-21). Como neste relato, aparece o nome do chamado, do vocacionado, (do latim vocare), o ofício desempenhado até o momento, e uma referência ao chamado para o seguimento. Sem dúvida, um texto vocacional. Elias “vai e encontra” Eliseu. Jesus, “caminhando à beira do mar, viu Simão e André”. E, “seguindo, viu outros dois irmãos”. Eliseu “estava orando”, os dois pares de irmãos estavam ocupados com seu trabalho: “lançavam suas redes”, estavam em sua barca “consertando as redes”. No caso de Elias, o convite ao seguimento se realiza através do gesto de “jogar o manto em cima” daquele, ou daquela, que foi chamado ou chamada (como uma veste litúrgica).A forma com a qual se relata a vocação de Eliseu quer significar que ela é continuação da vocação de Elias, conforme aparece na passagem precedente: “Ungirás profeta a Eliseu para ficar em teu lugar” (1Rs 19,16). Não se confia ao chamado uma tarefa nova, mas esta consiste em continuar a tarefa. A vocação dos discípulos se entende, portanto, como chamado a continuar a tarefa iniciada por Jesus.
A densidade cristológica do texto é inigualável. Sabemos que o texto joanino não permite a dispersão dos títulos cristológicos de Jesus. Isso nos leva a considerar, pelo cuidado quanto às origens do movimento de Jesus, que estaríamos com uma orientação pedagógica dirigida aos discípulos da terceira geração da igreja inicial, considerando-se a formação documental do Novo Testamento (os redatores escreviam ao fim do I século).

A vida cristã só pode ser assumida como “seguimento de Jesus”, de sua vida e de seu projeto, atravé de outras vocações, além da sacerdotal (povo de sacerdotes 1Pedro 2,5-9; Tito 2,5; Efésios 2,10). Esta centralidade do seguimento está na exortação antisacramental de Paulo aos membros da comunidade de Corinto (“…não fui chamado para batizar, mas sim para anunciar o Evangelho” – 1Cor 1,17). Forma para superar as divisões nascidas do esquecimento desta realidade fundamental sobre a unidade dos crentes. O esforço de não desvirtuar a cruz de Cristo, converte-se, portanto, na única forma de realização da unidade e da vida cristã.

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3o. Domingo do Tempo Comum depois da Epifania – Ano A
Isaías 9,1-4 – Continuará a obscuridade para a terra aflita
Salmo 27,1 e 4-9 – Senhor, não me escondas a tua face!
1Coríntios 1,10-18 – Não fui enviado para o batismo proselitista…
Mateus 4,12-26 – Vinde, eu vos farei pescadores de gente.

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O BATISMO DO SENHOR (Segundo Domingo do Tempo Comum)                   O contraste entre os dois, Jesus de Nazaré e João Batista, é tão patente quanto a madrugada, antes do amanhecer, e o sol-a-pique do meio-dia; quanto sombra e luz; quanto água e Espírito. Fica claro que o batismo de João compreende a conversão, mas Jesus vai além. Seu batismo é uma novidade radical: o Espírito está na conversão, mas segue construindo a vida do Reino.  Um é “ritual e externo”, o outro é profundo, atua no interior. Na profundidade das realidades humanas (Tillich, The New Being). Tudo precisa do Espírito, sem ele não há nada acontecendo, apenas um ritual religioso como muitos.  Sabe-se que o “batismo” de João não era propriamente original, praticado em movimentos religiosos marginais, radicais. O batismo de Jesus é messiânico, profético. O Messias de Deus iguala-se à humanidade, enquanto Deus nele se “re-vela”.

Um manso cordeiro, (biblicamente: o mesmo que meiguice, doçura, ternura), realiza a remissão dos pecados do mundo. Mas simbolicamente. Os pecados do mundo, porém, são estruturais, afeitos à responsabilidade política, social, religiosa. Mundo e humanidade acompanham uma sinonímia inevitável. A força está na fraqueza aparente do mártir da causa de Deus: um cordeiro pronto a ser degolado encerra os conteúdos da não-violência, não-represália ou da não-vingança, quanto aos poderes deste mundo. A doutrina de Anselmo (séc.XII), portanto medieval, da “satisfação”, individualista, (interpretada brutalmente no cinema por Mel Gibson, com abundância de sangue e violência, como agrada ao mundo fundamentalista, reavivada pelo teólogo pregador John Stott, conservador, não-fundamentalista, porém, não encontra apoio aqui: “… altares foram erigidos, animais foram sacrificados, e seu sangue derramado no período anterior à lei mosaica. (…) sem derramamento de sangue não há remissão… ”- (J.Stott, Cristianismo Básico, Ultimato, 2007).

O Cordeiro de Deus morre pela causa do Reino, não apenas por indivíduos, como quer essa teologia. O enfoque de João é o mundo (tou kosmou), e não um homem, individualmente identificado como tal (andros). “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”(Jo 1,29): [cf. Novo Testamento Interlinear Grego-Português, SBB, 2007: …’ide ’o amnos tou Theou ’o airwn tem ’armartiav tou kosmou]. Ver, aqui, comentário e complemento da análise ao 2o. Domingo Litúrgico do Tempo Comum – Ano “A”.

Ano “A”  2o. DOMINGO DO TEMPO COMUM

Isaías 49,1- Luz para até os confins da terra. 

 Salmo 40,1-11 – Não quiseste holocaustos e ofertas, mas a tua graça…
1Coríntios 1,1-9 – É fiel o Deus que vos chamou à comunhão
João 1,29-42 – Eis o Cordeiro que tira o pecado do mundo

 

 

 

 

 

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